O saneamento básico é um assunto de conhecimento geral, mas você já ouviu falar de saneamento ambiental? 

Neste blog post apresentamos algumas informações como o conceito, as diferenças entre os dois tipos de saneamento, a situação desses projetos no Brasil e algumas vantagens dos investimentos para a população!

Acompanhe.

O que é o Saneamento Ambiental?

É um conjunto de políticas de controle ambiental que visa solucionar problemas de infraestrutura nas cidades. 

O objetivo desse controle é promover melhores condições na qualidade de vida para a população e contribuir para a preservação do meio ambiente.

Diferenças entre o Saneamento  Básico e Ambiental

O saneamento básico foca em quatro pilares: abastecimento de água tratada, drenagem de águas pluviais, controle de resíduos sólidos e tratamento do esgoto. 

Já o saneamento ambiental é uma extensão dos serviços básicos e tem um propósito mais abrangente que envolve a preservação ambiental e outros temas sociais como a qualidade geral das águas, dos solos, do ar, destinação correta de resíduos, dentre outros.

A falta desses serviços impacta diretamente a população. Veja, mais a frente, de que forma a área da saúde, economia, meio ambiente e educação são afetados pela falta desse serviço básico.

Saneamento Ambiental no Brasil

Existem alguns órgãos que desempenham função regulatória no país, a fim de tornar o serviço cada vez mais acessível a todos. A Secretaria Nacional de Saneamento é um deles, sendo responsável por conduzir diversas ações em todo o território.

Há também o SNIS (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento), um sistema administrado pela Secretaria Nacional de Saneamento que todo ano conduz pesquisas de diagnóstico de serviço referentes a três áreas importantes:

Água e Esgoto

O diagnóstico de 2019 apresenta dados de 5.191 municípios, que representam 98,2% da população urbana.

Fonte: SNIS, 2019. Abastecimento de água.

De acordo com o relatório, o índice médio de atendimento total de água é de 83,7% no país inteiro, enquanto nas áreas urbanas o índice é de 92,7%. Até o momento do estudo, o território nacional contava com 680,4 mil km de extensão das redes públicas de abastecimento de água

A região com o índice total mais baixo é o Norte com 57,5%, 70,4% nas áreas urbanas. Enquanto a melhor região é o Sul com 90,5% do total e 98,7% na área urbana.

Já em relação ao consumo, no ano de 2019 o volume de água consumida foi de 9,8 bilhões de m³, enquanto o volume de água tratada disponível para consumo foi de 16,6 bilhões de m³. 

No que diz respeito a esgotamento sanitário, a extensão das redes públicas é de aproximadamente 353,3 mil km e conta com 34,6 milhões de ligações diretas de esgoto. Assim, o volume coletado por ano chega a marca de 5,8 bilhões de m³, enquanto o volume tratado é de apenas 4,5 bilhões de m³. 

De forma geral, a população atendida com rede pública coletora de esgoto é de 110,3 milhões de habitantes e o índice de tratamento de esgoto total é de 78,5%, o que mostra que ainda há uma margem grande de melhoria tanto para a coleta quanto para o tratamento. 

Caso queira saber mais, clique aqui para veja o diagnóstico completo sobre água e esgoto.

Águas Pluviais

Fonte: SNIS, 2019. Drenagem e manejo de Águas Pluviais Urbanas

O tratamento das águas pluviais é uma questão que muitas vezes acaba se tornando secundária para os gestores públicos, porém ainda sim tem uma importância essencial. 

Em 2019 o número de desabrigados ou desalojados devido aos eventos hidrológicos chegou a 105.142 pessoas. No ano de 2018 o número foi ainda maior.

Dentro dos municípios participantes da pesquisa, somente 54,3% possuem um sistema de drenagem exclusivo para drenagem e 4,4% dos municípios possuem algum tipo de tratamento para essas mesmas águas.

Diante desses dados podemos constatar que, apesar de providências já estarem sendo tomadas, ainda há um longo caminho para que esse problema se torne cada vez menos recorrente.

Clique aqui para ver o diagnóstico completo sobre águas pluviais!

Resíduos Sólidos

Fonte: SNIS,2019. Manejo de Resíduos Sólidos Urbanos

De acordo  com o Sistema Nacional, a cobertura da coleta domiciliar na população urbana chega a 98,8% nos municípios diagnosticados. Com relação à população total esse número cai para uma média de 92,1%, o que mostra que ainda há onde melhorar e otimizar a coleta em todo território nacional.

A coleta e tratamento dos diferentes tipos de resíduos são delicadas, uma vez que devem ser devidamente separados e tratados.

Alguns tipos de unidade de processamentos desses materiais são: lixão, aterro controlado, aterro sanitário, unidade de tratamento por incineração, unidade de transbordo entre muitos outros.

Vale destacar que todos os municípios devem elaborar um Plano de Resíduos Sólidos que siga uma série de orientações. Você pode conferir mais sobre este assunto clicando aqui.

Impactos Socioeconômicos

Entre os principais impactos podemos destacar:

Saúde

A propagação de doenças é um dos principais problemas que é reduzido com os esforços dos projetos de saneamento ambiental. O tratamento do esgoto, por exemplo, minimiza o contato da população com micro-organismos que causam doenças.

A redução dos ambientes com água parada onde os mosquitos se reproduzem diminui os riscos da propagação de muitas doenças como dengue, Zika, Chikungunya e outras enfermidades que afetam diretamente a saúde da população de locais com baixa infraestrutura.

As enchentes nos centros urbanos mais vulneráveis são um problema recorrente e pode ser evitado nos municípios que prezam pela manutenção da infraestrutura de galerias pluviais e redes de esgoto. 

A Khan Academy, empresa de ensino gratuito, disponibilizou um material completo que apresenta mais detalhes sobre as doenças relacionadas à falta de saneamento básico.

Economia

Na economia o maior impacto se dá pelo afastamento dos trabalhadores devido aos internamentos. O mercado é afetado pela ausência dos trabalhadores e o SUS arca com os gastos de tratar os pacientes.

De acordo com um estudo do primeiro semestre de 2020, realizado pela Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES), o Brasil teve mais de 40 mil internações causadas por doenças relacionadas à falta de saneamento.

A melhoria dos serviços de água, esgoto e controle de lixo poderiam reduzir o número de internações e consequentemente reduzir os gastos. Nesse mesmo estudo foi estimado que os primeiros três meses de 2020 tiveram um gasto que chegou a R$16 milhões.

A Trata Brasil, em parceria com a Fundação Getúlio Vargas, desenvolveu um material sobre os benefícios econômicos da expansão do saneamento brasileiro que apresenta com mais detalhes as vantagens do investimento no saneamento.

Educação

Um levantamento feito pela Melhor Escola aponta que mais da metade das escolas públicas não possui acesso a distribuição de água potável, coleta e tratamento de esgoto, drenagem urbana e coleta de resíduos sólidos. É um dado bastante alarmante.

Reduzindo os riscos de contaminação da população, sobretudo as crianças, aumenta-se as chances e as oportunidades de se dedicarem aos estudos e avançarem na vida acadêmica e transformar a realidade em que vivem.

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O saneamento é um assunto que deve ser debatido em todos os municípios, já que possui impacto direto na vida das pessoas. 

Com o desenvolvimento de novas tecnologias, a tendência é que soluções mais baratas e eficientes sejam desenvolvidas. Assim, mesmo locais com investimentos menores podem oferecer qualidade de vida para a população.


Quer saber mais sobre o assunto ? Clique aqui para continuar lendo sobre a situação de saneamento no Brasil.