Para qualquer atividade, seja no âmbito empresarial ou doméstico, é necessário segurança. Entretanto, para as empresas, essa busca por meios de realizar as atividades de forma mais segura não só é importante como também é obrigatória. Essa segurança do trabalho é definida como um conjunto de normas e ações preventivas que estão intimamente ligadas ao desenvolvimento de um ambiente de trabalho saudável e à prevenção de doenças e acidentes de trabalho.

Uma das técnicas dentro do escopo da segurança do trabalho é a Análise Preliminar de Risco (APR). Ela consiste em um estudo prévio das condições do local, atividade e colaborador e na elaboração de um relatório sobre esses dados. Porém, muitas empresas têm dificuldades em transmitir a real importância da APR para seus trabalhadores.

Segundo o Ministério Público do Trabalho, através do Observatório Digital de Segurança e Saúde do Trabalho, a cada quatro horas e meia uma pessoa morre em um acidente de trabalho no Brasil. Com dados analisados desde o começo de 2017, o número de Comunicações por Acidente de Trabalho (CAT) não vem diminuindo, mas sim mantendo-se estável.

Como então fazer com que a equipe de campo realize sempre essa análise antes das atividades, de forma que esses acidentes diminuam? Confira no post abaixo:

O que é APR?

Como já dito anteriormente, a sigla APR significa Análise Preliminar de Riscos, que é um estudo prévio e detalhado das fases do trabalho a ser realizado. O objetivo da APR é delimitar os possíveis problemas que serão encontrados, analisar os possíveis riscos da realização do serviço e, por fim, adotar medidas que controlem, neutralizem ou atenuem esses obstáculos.

A Análise serve para que todos os empregados estejam cientes de todos os procedimentos que terão de se submeter na realização da tarefa. Além de ser uma garantia legal para a empresa, a APR é um documento importante pois coloca o colaborador a par de todos os possíveis riscos.
Em uma Análise Preliminar de Riscos devem constar os nomes da empresa e dos funcionários, a data e a descrição da tarefa, além dos riscos, EPI’s necessários e normas para a realização ideal do trabalho.

Como é feita?

A análise é feita, primeiramente, através de uma coleta de dados. Apesar de não existir uma forma obrigatória para ela ser realizada, é necessário que o documento aborde, com precisão e detalhamento, alguns tópicos essenciais como a identificação de possíveis perigos e a listagem de riscos.

Após essa coleta de dados, é necessário analisar quais as causas desses possíveis riscos e quais são os grupos ou bens expostos a essas possíveis ameaças, além de realizar uma estimativa de consequências ou danos a eles.

Por fim, após a descrição de todos os pontos observados, deve haver a elaboração de um planejamento de medidas para lidar com todos os problemas encontrados.

Qual é a importância da APR?

Apesar de sabermos intrinsecamente que a segurança no ambiente de trabalho é importante, normalmente costumamos ser negligentes com relação a diversos itens ou práticas que poderiam nos ajudar.

Os riscos, apesar de inerentes a certas atividades, podem ser eliminados ou, no mínimo, atenuados através dessa análise. Através dela é possível elencar quais são as atribuições e definir as responsabilidades de cada indivíduo da equipe. Desta forma, cada um toma para si uma parte do todo, ninguém fica sobrecarregado e, consequentemente, é mais fácil do trabalho ser realizado da forma ideal, sem imprevistos.

Outra parte importante da APR é a revisão das ameaças aos colaboradores, bens ou outras pessoas. Uma vez que esse relatório já tenha sido feito, é sempre necessário revisar os itens citados e as ameaças elencadas para verificar se ainda continuam sendo um problema ou se nada foi esquecido ou negligenciado na primeira análise. A APR ainda prevê algumas situações em que algo de errado possa ocorrer e quais serão as medidas emergenciais ou de controle para limitar ou minimizar prejuízos ou lesões.

Porém, talvez o aspecto mais importante da APR e, consequentemente, seu objetivo, seja a antecipação dos possíveis problemas futuros. Com uma análise prévia bem feita, a equipe é capaz de identificar não somente os riscos ao trabalhador como lesões diretas, mas também danos aos equipamentos, paralisações prejudiciais, perda de materiais e até condições climáticas que possam influenciar. Essa antecipação é um dos princípios mais importantes da prestação de serviços e, portanto, não pode ser deixada de lado em uma equipe que preza pela produtividade e eficiência.

Como fazer com que a sua equipe sempre realize a APR?

O processo de uma Análise Preliminar de Riscos deve ser contínuo, ou seja, ela possui um prazo de validade. Cada empresa definirá a frequência necessária para realizá-la. Porém, não se pode esquecer que, na Segurança do Trabalho, é necessário documentar tudo, não só realizar as tarefas. É o trabalho do Técnico em Segurança do Trabalho ou do colaborador responsável por essa área o de fiscalizar, a todo tempo, se as medidas definidas pela APR e previstas em lei estão sendo cumpridas e aplicar as sanções ou advertências adequadas caso não estejam.

Um grande trunfo na implementação de um projeto de segurança do trabalho bem sucedido é o engajamento dos trabalhadores na causa. Se todos forem lembrados a todo tempo de forma sistemática que a APR, assim como o uso de EPIs, é indispensável para a própria segurança deles, que realizando essas tarefas não só o trabalhador está se protegendo mas cumprindo a lei e cuidando da sua família, a aceitação do projeto aumenta.

Com o aumento da aceitação do projeto, quando todos estiverem cientes dos seus direitos e deveres, além de estarem completamente cientes de todos os riscos e consequências, é hora de adotar novas medidas. O uso de equipamentos de segurança e a realização da APR são medidas obrigatórias. Portanto, o funcionário que, consistentemente, não realiza essas tarefas pode ser advertido, suspenso ou até desligado da empresa. Obviamente o objetivo não é esse, e sim implantar uma cultura onde o responsável por essa área tenha autoridade suficiente para fazer com que toda a equipe cumpra o designado.

Além disso, é importante estar atento às normas regulamentadoras (NR) que orientam as obrigatoriedades na saúde do trabalho. Todas as 36 NR’s estão contidas na CLT e regem questões como insalubridade, embargo, uso de EPI’s etc. Dependendo da área de atuação da empresa e da função específica de cada funcionário, será necessário observar uma norma diferente. Inclusive, algumas preveem cursos de capacitação que fornecem o certificado necessário ao trabalhador para realizar a sua função.

Com tempo, paciência e informações atualizadas, além da fiscalização frequente e constante, a empresa conseguirá adequar-se à realização da Análise Preliminar de Riscos de forma praticamente automática antes de suas atividades. O grande objetivo é mudar a mentalidade dos trabalhadores e, na contratação de novos colaboradores, levar este critério em consideração, pois isso demonstra disciplina e alinhamento com os objetivos da empresa.