A quantidade excessiva de luzes emitidas nos centros urbanos, chamada também de poluição luminosa, têm afetado consideravelmente a qualidade de vida nas cidades.

Um exemplo de cidade com poluição luminosa é a grande São Paulo. Isso porque, o céu noturno claro, alaranjado e até mesmo sem estrelas, passou a ser comum diante da intensa iluminação artificial na cidade.

Em locais com iluminação abundante, ocorrências sociais e ambientais se tornaram recorrentes, uma vez que a luz exagerada apresenta diversos problemas no ecossistema. Inclusive, em algumas cidades a quantidade de luz já pode ser vista do espaço e os impactos são observados na prática. 

De acordo com os estudos do Centro Nacional de Informações Ambientais, 80% da população que vive na América do Norte e 60% de todos os habitantes da Europa não conseguem ver as estrelas e a Via Láctea diante da alta quantidade de iluminação artificial. 

Para saber mais sobre a poluição luminosa e seus impactos, acompanhe a leitura. 

O que é poluição luminosa?

Para a especialista e ex-ministra da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Tânia Dominici, a poluição luminosa pode ser definida como “Toda iluminação artificial utilizada inadequadamente ou de uma maneira que não seja o seu objetivo principal.”

A partir desse fragmento, pode-se afirmar que o uso excessivo de luz artificial como lâmpadas de lojas, edifícios, residenciais, faróis de carros, letreiros publicitários e até mesmo iluminação pública inadequada são grandes causadores da poluição luminosa.

Isso porque, quando a iluminação ultrapassa o nível de intensidade adequado ou quando a luz irradia além das áreas estabelecidas, percebe-se um aumento significativo de ocorrências que afetam todos os aspectos da vida no planeta. Veja exemplos a seguir:

Seres humanos: devido à exposição excessiva à luz artificial, aumenta-se o risco de desenvolvimento de câncer de mama em 14%, além de outras alterações no ciclo biológico, sono desregulado, transtorno de humor, estresse e depressão.

Ecossistema: a poluição luminosa tem alterado o fluxo migratório e também o ciclo alimentar e reprodutivo de diversas espécies. Além disso, a luz artificial induz a fotossíntese e provoca o crescimento anormal de plantas e o florescimento de outras espécies.

Astronomia: além de ofuscar o céu noturno, a poluição luminosa reduz a visibilidade das estrelas e interfere na observação e desenvolvimento de pesquisas astronômicas. 

Portanto, a intensa quantidade de luz emitida nos centros urbanos, sobretudo, aqueles com crescimento populacional contínuo, requer atenção e deve ser enfrentada de forma multidisciplinar.

Exemplos de iluminação que causam a poluição luminosa

Conforme a cartilha desenvolvida pelo Laboratório Nacional de Astronomia (LNA), a poluição luminosa é dividida em três categorias. Confira a seguir quais são elas:

1. Skyglow – Brilho no céu

Com o aspecto alaranjado no céu devido às lâmpadas de vapor de sódio, somado a posição inadequada, o brilho skyglow é o mais comum nas cidades, uma vez que o seu impacto não é meramente local.

A luz é tão forte que pode ser vista a mais de 300 km de distância do espaço. Em áreas com alta concentração de poluentes atmosféricos, os efeitos da poluição luminosa tendem a piorar e se tornarem ainda mais prejudiciais. 

2. Glare – Ofuscamento

Ocorre quando a luz excessiva não é bem posicionada ou protegida aos olhos. Portanto, ao olhar em direção a luz, percebe-se uma diminuição da visibilidade, desconforto e até mesmo cegueira momentânea.

A poluição luminosa glare é comum no tráfego urbano, quando há faróis altos na direção contrária e os letreiros iluminados à margem de rodovias, que afetam diretamente os motoristas. 

3. Light trespass – Luz intrusa

Como o próprio nome diz, é a luz que ilumina um ambiente no qual não necessita de luz

Outdoors, lâmpadas de vizinhos e até mesmo a iluminação pública inadequada geram luz a mais na janela de um quarto, por exemplo. Isso impede que o quarto fique escuro durante a noite. Por esse motivo, essa é a poluição luminosa que mais causa insônia, estresse e depressão às pessoas.

A lâmpada LED como uma solução

Primeiramente, é importante saber que a iluminação pública não é um problema de poluição luminosa quando utilizada de maneira correta. Isso porque, a iluminação pública é um serviço público que visa oferecer condições de desenvolvimento e qualidade de vida.

Em outras palavras, é importante que haja iluminação apenas onde for preciso, durante o tempo necessário e que a luz seja adequada para cada ambiente e/ou situação.

Dessa forma, para amenizar a poluição luminosa, as lâmpadas de LED possuem diferentes características que influenciam diretamente no projeto de iluminação das cidades.

Mesmo emitindo uma luz mais forte do que as lâmpadas convencionais, a iluminação pública com LED requer planejamento e instalação com luminárias corretas. Para que dessa forma, a luz seja emitida apenas no espaço determinado

Além disso, adotar outras soluções em LED como sensores de presença, refletores e iluminação dimerizada são fundamentais para controlar a intensidade da luz e economizar energia. 

Isso se justifica porque o sistema com LED demanda menos energia do que os sistemas convencionais, reduz custos e possibilita o gerenciamento dos parques de iluminação de maneira inteligente sem deixar de lado a eficiência energética.

O que diz a Legislação?

O levantamento realizado pela Remote Sensing revela que a luz artificial detectável por satélite aumentou nos últimos 25 anos em todo o mundo. Em números, isso representa um aumento de 49% no que diz respeito à poluição luminosa

Diante dos riscos da excessiva iluminação no planeta, o Projeto de Lei 1400/21 (ainda em análise) busca tornar a poluição luminosa um crime ambiental. A proposta tem como base os impactos do uso da iluminação artificial em desacordo com os padrões estabelecidos.

Em outras palavras, a proposta afirma que a poluição luminosa:

  • Afeta a saúde e o bem-estar da população;
  • Prejudica as atividades sociais e econômicas;
  • Impacta negativamente a vida de animais e vegetais; 
  • Interfere nas condições estéticas e sanitárias do meio ambiente. 

Por esse motivo, utilizar a luz artificial de forma correta se faz cada vez mais necessário para mitigar os impactos socioambientais.

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Neste conteúdo, você compreendeu melhor sobre os riscos da poluição luminosa e que atualmente, tem a mesma gravidade que outros tipos de poluição

Em contrapartida, a poluição luminosa é uma das mais fáceis de ser remediada ao planejar de forma correta e consciente a iluminação pública das cidades.


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