Não é novidade que as cidades estão se transformando. E para melhor!

As chamadas cidades inteligentes trazem um novo conceito ao meio urbano, criando e desenvolvendo diferentes práticas capazes de melhorar o estilo de vida da população, principalmente as que vivem em grandes centros.

Essas práticas não estão ligadas somente às questões de inovação e tecnologia, mas também a necessidade iminente de repensar a respeito de utilização de energias renováveis e no meio ambiente, buscando soluções eficientes para tratar o grave problema da destinação inadequada dos resíduos urbanos.

A partir do momento em que uma cidade implanta um plano ou sistema integrado que possibilite a gestão dos resíduos de modo correto, diversos benefícios sociais e ambientais podem ser facilmente percebidos no cotidianos desses grandes centros. 

Quer alguns exemplos? 

Há o aumento da qualidade de vida da população, uma vez que diminui-se a proliferação de vetores e doenças letais aos seres humanos; geram-se empregos e renda a partir da criação de cooperativas de coleta de material reciclável; e também há redução de gastos públicos com limpeza urbana.

Veja a seguir os motivos pelos quais se faz necessário definir estratégias, ações e procedimentos que busquem o desenvolvimento sustentável a partir do consumo responsável.

Política Nacional de Resíduos Sólidos

Desde 1981 o Brasil dispõe de uma legislação voltada à proteção do meio ambiente. De lá para cá, outras leis foram debatidas e desenvolvidas considerando os temas emergentes e as necessidades de cada época.A mais marcante é a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), instituída a partir da Lei Federal nº12.305, em 2010. Nela, exige-se que a União, Estados e Municípios promovam ações, procedimentos e meios para viabilizar coleta e destinação corretas à todos os materiais descartados pela população, empresas e órgãos públicos.

Além disso, apresentou uma novidade ao país: a logística reversa dos resíduos. Essa norma atua como instrumento do desenvolvimento econômico e social, uma vez que sua aplicação atribui a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, seja para reaproveitamento, inserção em outros ciclos produtivos ou destinação final, desde que ambientalmente adequada.

Na prática, isso significa que cada instituição torna-se responsável pelo que produz, desde a produção até a etapa final do ciclo de vida de cada item. Entretanto, todos os marcos regulatórios não são eficientes se pensados isoladamente, ou seja, sem considerar a atuação da população na manutenção do sistema de coleta nas cidades

Afinal, a preservação do meio ambiente começa com pequenas atitudes diárias, como o consumo consciente  e o correto descarte dos resíduos sólidos.

Uma questão de saúde pública

Se os impactos ambientais, por si só, ainda não te convenceram da necessidade em mudar determinados hábitos, trouxemos outro motivo para te fazer repensar: a saúde pública.

Todas as fases do ciclo de vida dos resíduos podem, de alguma forma, afetar a vida da população, principalmente as residentes nos grandes centros urbanos. De que forma? 

Causando enchentes quando dispersos nas ruas, impedindo que o sistema de drenagem funcione adequadamente; atraindo e favorecendo a proliferação de vetores como, por exemplo, ratos, baratas e mosquitos, transmissores de doenças graves como a leptospirose, febre amarela, dengue, zika e Chikungunya.

Por essa razão, novas práticas de coleta e reutilização vem sendo implementadas gradativamente como alternativas para o gerenciamento de resíduos dentro dos centros urbanos.

Coleta Seletiva

Considerando que os serviços básicos de coleta de resíduos disponibilizados pelas prefeituras não são capazes de suprir as demandas da sociedade, a Política Nacional de Resíduos Sólidos determina que cooperativas sejam criadas para que auxiliem na coleta de materiais com potencialidade de reciclagem como, por exemplo, plástico, papelão, metal e alumínio.

Embora não esteja presente na maioria das cidades brasileiras, a prática da Coleta Seletiva é uma alternativa ecologicamente correta e também possibilita a inclusão social de uma parcela significativa da população, gerando renda e melhoria na qualidade de vida para os trabalhadores vinculados à organização.

Economia circular

Se você já utilizou mobília antiga na decoração de casa vai entender o que é a chamada economia circular e o conceito de Upcycling, surgido no ano de 1994. Ambos possuem a mesma essência: a reutilização inteligente de materiais cuja vida útil esteja próxima do fim. 

Com muita criatividade e técnicas variadas é possível fabricar produtos novos a partir de uma base antiga, podendo servir como itens de decoração para casa, jardins, funcionalidades, entre outros.

Quer um exemplo prático e utilizado em uma das cidades mais inteligentes do Brasil? 

Em 2015 essa ideia de transformação foi incorporada às demais práticas sustentáveis existentes em Curitiba. A capital Paranaense, que atualmente ocupa a terceira colocação no ranking, implantou as chamadas “Estações de Sustentabilidade”, que nada mais eram que contêineres marítimos inutilizados adaptados para receber recicláveis.

Esses materiais eram levados de forma voluntária pela população do entorno, justamente para torná-los responsáveis pela separação do lixo e induzi-los a repensar na produção de resíduos.

Ao mesmo tempo em que a população adquiria maior consciência sobre o consumo e descarte, a coleta desses materiais era facilitada, otimizando o trabalho dos caminhões responsáveis pela coleta e transporte até as unidades de reciclagem.

Como os cidadãos podem ajudar?

Se por um lado grande parte da população ainda não é engajada na causa da destinação correta dos resíduos, a menor a faz de modo incorreto. Por esse motivo, criamos uma passo a passo simples para você começar a mudar seus hábitos e contribuir na gestão dos resíduos sólidos da sua cidade.

Pare e pense: é realmente necessário adquirir determinado produto? Quais impactos que ele pode causar após ser utilizado? Se não tiver outra opção, pode partir para o passo 2.

  1. Entenda: há duas categorias de resíduos, os orgânicos e os recicláveis. Eles não devem ser depositados no mesmo recipiente. Por isso, SE-PA-RE.
  2. Higienização: para os recicláveis é aconselhável remover qualquer tipo de resíduo das embalagens utilizando água e sabão, pois facilita o processo de reciclagem e reaproveitamento no centro de  triagem.
  3. Descarte corretamente: após alocados em seus respectivos sacos de lixo, mantenha-os em locais secos até o dia de coleta.
  4. Tenha empatia: deixe os sacos de lixo em locais de fácil acesso aos coletores. Dessa forma, acidentes e transtornos podem ser evitados, agilizando o trabalho desses profissionais por toda a cidade.

A fórmula para melhorar a vida nas cidades pode ser sintetizada na expressão: poder público + população. Dessa forma, os resíduos poderão ser reaproveitados por meio da reciclagem e da reutilização, diminuindo os impactos tanto de produção quanto de descarte destes materiais nas cidades e no meio ambiente.

Para isso, é essencial que haja uma conciliação de valores entre os diversos setores e camadas sociais, tanto na política, economia, cultura e educação social, estabelecendo políticas de sustentabilidade compatíveis com o cenário ambiental do país e do mundo, estabelecendo metas e prazos para se atingir padrões satisfatórios.